Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
Viés II

 Então é isso que nos resta?

Uma saudade amarga

Palavras abafadas por um orgulho torpe?

Então é esse o caminho?

Inimizade, hostilidade

Um rancor infundado e desmedido?

Onde guardar o amor,

Aquele amor que fora bom e sincero?

E aquela amizade inabalável (?)

Que davam sentido aos nossos sorrisos

Morreu também?

Então é isso:

Um ressentimento infantil é assassino

E lembrar não vale a pena

Então é isso:

Boa sorte, pra nós dois.

Que o arrependimento nunca nos ache!


música: Quem Além de Você - Leoni

publicado por Thales às 16:04
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Terça-feira, 7 de Abril de 2009
Eco

Eu me repito

Mudo o cabelo

Troco a roupa

Mas me repito

Tiro os sapatos

Ando descalço

E me repito

Canto outras músicas

Outros poemas...

Eu me repito

Mudo de idéia

Falo o oposto

E ainda me repito

Tudo que faço de novo

É o mesmo velho

Que antes eu fazia

Mudo o caminho

Mudo o discurso...

Eu me repito

Eu me repito

Eu me repito

Eu me repito

Eu me repito

Eu me repito...

 


música: Um Ano Em Um Dia - Nô Stopa


Terça-feira, 10 de Março de 2009
Fuga

É tarde pra remorso, arrependimentos

Mas sempre terás meu abraço

Nem um laço, nada afetuoso

Só meu abraço

 

Acho que nem te amo mais

Mas te esquecer

Não quero jamais

 

Não quero mais teu olhar

Vago a me procurar

Carente no escuro

 

Não quero ser teu príncipe

Nem quero mais ser teu

Cansei de ser teu anjo

Refúgio e escudo

 

 

 


música: Pode Chorar - Jorge e Matheus


Descoberta

Gosto doce

Amargo se fez

Dia e noite

De uma só vez

É o que vi

Quando te vi

Partir

 

Frio intenso

Meu corpo gelado

Eu senti

Sem você ao meu lado

É o que senti

Quando não te senti

Partir

 

Alegria enorme

Sorriso largado

Eu abri

De bom grado

Porque vi

O que vi:

Não preciso de ti

 


sinto-me: Distante
música: Tem Nada a Ver - Jorge e Matheus

publicado por Thales às 16:31
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
...

Deixa calar os versos

Já não importam mais

Deixe que eles se tornem

Silêncio, vazio e paz

 

Se a música acabar

E cessar a melodia

Deixa tocar o silêncio

Com toda sua apatia

 

E quando a luz apagar

E virar tudo breu

Deixa-me te abraçar

E mentir o que aconteceu

 

Quando o sol voltar

Estarei bem distante

Ainda amigo

Não mais amante

 


sinto-me: Leve
música: Passos Falsos - Capital Inicial

publicado por Thales às 17:56
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Sábado, 9 de Agosto de 2008
Poema?

Gavetas de meias, bolinhas de gude, carros do ano

Esse não é mais um poema

São só versos sobrepostos

Falando de coisas normais

Sobre bola correndo

Carros passando

Pessoas cansadas, sentadas

Conversando, rindo, chorando

Esses são versos sobre nada

Sobre nada demais

Coisas triviais

Sorrisos, brigas, mesas de bar

Noites e noites em claro

Ou dias que insistem em não chegar

Bonecas, palhaços, mágicos, circo

Preces, orações, soluços...

... São só versos amontoados

E só isso

Esse poema é sobre nada

Isso nem é um poema.


música: Your Song - Elton John


Domingo, 27 de Julho de 2008
Minhas Tardes

Músicas espalhadas na cabeça

Que não pára de cantar

Canções que nada dizem

Com suas letras e ritmos distantes...

 

Pausas!

 

Pára a música, a letra

O pensamento

De repente tudo volta diferente

Mudaram a estação

Não! Mudaram a música (somente a música)

E então, novamente

Outra mente (outros pensamentos)

A mesma mente

 

Novas pausas

 

E o que era mesmo

Que se passava entre a gente?

Não tem “a gente”

Era só a música (somente a música)

Que continua a rodar

Como as imagens que rodam na cabeça

Que vem e vão

Como acordes de baladas repetitivas

Como lembranças de letras parecidas

 

Fim da música!

 

E, de repente

Um vazio passa na cabeça

Como passam pensamentos

Tem-se a sensação

De que não se está ali

E todos os pensamentos somem

Como se nem tivessem existidos

Esquecidos ou perdidos

Com o fim da canção

Se vão com o acorde final

 

Próxima música

 

Como se fosse mágica

A mente se enche novamente

Cores, formas, cenas...

A canção é apenas percebida

Pouco importa qual é,

Desde que traga novos devaneios

 

E assim segue-se o ciclo:

Músicas que se misturam

Pensamentos que se perdem

Mente que se enche ou esvazia

Conforme o som que a dispersa.

 




Quarta-feira, 7 de Maio de 2008
Vilipêndio

 

No avesso do lado de cá

Onde teus olhos inquietantes

Não conseguem me alcançar

Escondo meus olhos confusos

Tampo meus ouvidos

Pra não te escutar

 

No avesso do lado de cá

Teus olhos negros

Sempre tentam me tocar

Procuram em todos os cantos

Meus olhos de espanto

Que se espalham pelo ar

 

Do lado oposto

Onde meu corpo

Reflete teu prazer

Eu me afasto sem deixar rastros

Pra você me esquecer

 

No avesso do lado de dentro

Rasgo da pele o teu nome gravado

Tiro do meu corpo teu cheiro

Da minha boca o teu gosto amargo

 

No avesso de tudo que penso

Já não vejo razão

Pra te olhar

E nem a nudez do teu corpo

É capaz de me provocar

 

Do lado oposto

Onde meu corpo

Reflete teu prazer

Eu me afasto sem deixar rastros

Pra você me esquecer

         Do lado oposto

         Onde teu corpo

         Já não me traz prazer

         Eu me retiro antes da hora

         Sem te satisfazer.

 




Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
Solúveis

A chuva apagou os versos que fiz pra ti

Os papéis rasgaram

A tinta borrou

E os sentimentos...

Escorreram com a água

Estão nos bueiros

 

As canções que te escrevi

As melodias que compus

Nunca mais tocaram

E os sentimentos...

Passaram junto com o último acorde

Se foram com o fim do refrão

 

Os quadros que te pintei

Viraram trapos

Panos velhos

E os sentimentos...

Perderam a cor

Como teus olhos também

 

A chuva passou

Molhou as canções

Desbotou teus olhos

E os sentimentos...

Talvez nunca tenham existido.

 




Sábado, 20 de Outubro de 2007
Poema de Amizade Número Um

Escolhi a folha mais bonita

Com as linhas mais perfeitas

Mas faltaram teus versos

E tive apenas um papel bonito

 

Decorei as bordas

Pus muitos enfeites

Mas faltaram teus versos

E tive apenas um papel bonito

Com as bordas enfeitadas

 

Coloquei meu verso mais profundo

Talvez o mais bonito que já fiz

Mas faltaram teus versos

E os meus não tiveram sentido

 

Derramei minha vida

Entreguei minhas idéias

Minha alma, meu mundo

Mas faltaram teus versos

E então era só

E mais uma vez

Só a minha vida.

    

Para Darlan Augusto Costa


música: Quase Nada - Zeca Baleiro


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