Terça-feira, 8 de Novembro de 2011
LAPA


 

Somos bons boêmios

Vagabundos natos

Errantes sem rumo

Errados de fato

 

Filhos da noite

Bares e ruas

Entre fumaça e éter

Peles e almas nuas

 

Cidadãos sem lar

Somos ralé e escória

Náufragos sem mar

Transeuntes na esbórnia

 

Somos o som da noite

Quando a noite acaba

Ébrios tortos

Na poeira da estrada

 

Ressaca do meio-dia

Somos a luz que o dia não traz

Gritos loucos e roucos

Que nunca deixam a cidade em paz

 

 



publicado por Thales às 16:11
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Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
Poema de Estrada Número Um

Poema de Estrada Número Um

 

I

 

Mistérios do sono

Segredos que a noite não conta

Horas parecem segundos

O cansaço não passa;

Está na alma

No espírito

Na essência do ser

 

II

 

A escuridão e o silêncio são densos

Cegam

Ensurdecem

Os olhos se fecham

E encontram sonhos

O corpo semi-desfalecido repousa

Mas o cansaço é residente

Inefêmero, eterno

Está empregnado

Em poros dilatados

Pelo suor dos passos incertos;

É o acúmulo de muitas histórias

De muitas estradas

 

III

 

A noite se estende

Trazendo imagens intranqüilas

Imprecisas, irreais

Dá tempo à mente, esvazia-a

Antes do sol chegar

Mas a dor nos músculos do ser

É latente, pungente, tenaz

Longa demais pra uma noite

Grande demais pra uma cama

 

IV

 

O breu se dissipa, se disperça

Aos primeiros raios da manhã

Que logo tocarão o corpo inerte

Renovado, limpo da poeira

Pronto pra levantar

Levando o cansaço do mundo,

Da poeira e da fumaça

Em suas costas,

Na mente ainda cansada

Lotada de histórias

Coisas que não viveu

 

V

 

Levanta-se e vai

Ao vento

Ao sabor do acaso

Ao encontro de novas histórias

Novas vidas e caminhos

Mais poeira e mais fumaça

O mesmo cansaço na alma;

Cada vez maior

Cada vez mais necessário.



publicado por Thales às 21:53
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Domingo, 23 de Maio de 2010
Soneto Desarmônico

Tanto dancei

Que nem reparei;

A música parou há horas

E só me avisa agora?

 

Dancei pra suar

Pra me esgotar

Mas me excedi

E não percebi

 

A luz se apagando

A hora indo embora

Noite a dentro ou a fora

 

O sono chegando

Por bem ou por mal;

Ladrão de Carnaval.


música: Revelation - Ozzy Osbourne

publicado por Thales às 20:16
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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010
Tremeluzente

A luz opaca, fina

Que invadia minha vidraça

Naquela manhã nublada

Era como um sorriso teu

Que ilumina o dia

Mas não dispersa a neblina

Trazia o teu calor

Que queima

Mas não esquenta

 

A luz bruxuleante da manhã

Que atravessava a fresta

Da minha janela cerrada

Era como o toque teu

Que perturba, incomoda

Mas não desperta

Ou como tua voz

Que alarma

Mas não deixa alerta

 

Era luz fraca

Como teu querer por mim;

Era morna

Como é também o teu desejo;

Era incerta

Feito tua inconstância;

Era cínica e triste como teu sorriso.

 



publicado por Thales às 00:49
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
Viés II

 Então é isso que nos resta?

Uma saudade amarga

Palavras abafadas por um orgulho torpe?

Então é esse o caminho?

Inimizade, hostilidade

Um rancor infundado e desmedido?

Onde guardar o amor,

Aquele amor que fora bom e sincero?

E aquela amizade inabalável (?)

Que davam sentido aos nossos sorrisos

Morreu também?

Então é isso:

Um ressentimento infantil é assassino

E lembrar não vale a pena

Então é isso:

Boa sorte, pra nós dois.

Que o arrependimento nunca nos ache!


música: Quem Além de Você - Leoni


Terça-feira, 7 de Abril de 2009
Eco

Eu me repito

Mudo o cabelo

Troco a roupa

Mas me repito

Tiro os sapatos

Ando descalço

E me repito

Canto outras músicas

Outros poemas...

Eu me repito

Mudo de idéia

Falo o oposto

E ainda me repito

Tudo que faço de novo

É o mesmo velho

Que antes eu fazia

Mudo o caminho

Mudo o discurso...

Eu me repito

Eu me repito

Eu me repito

Eu me repito

Eu me repito

Eu me repito...

 


música: Um Ano Em Um Dia - Nô Stopa


Terça-feira, 10 de Março de 2009
Fuga

É tarde pra remorso, arrependimentos

Mas sempre terás meu abraço

Nem um laço, nada afetuoso

Só meu abraço

 

Acho que nem te amo mais

Mas te esquecer

Não quero jamais

 

Não quero mais teu olhar

Vago a me procurar

Carente no escuro

 

Não quero ser teu príncipe

Nem quero mais ser teu

Cansei de ser teu anjo

Refúgio e escudo

 

 

 


música: Pode Chorar - Jorge e Matheus


Descoberta

Gosto doce

Amargo se fez

Dia e noite

De uma só vez

É o que vi

Quando te vi

Partir

 

Frio intenso

Meu corpo gelado

Eu senti

Sem você ao meu lado

É o que senti

Quando não te senti

Partir

 

Alegria enorme

Sorriso largado

Eu abri

De bom grado

Porque vi

O que vi:

Não preciso de ti

 


sinto-me: Distante
música: Tem Nada a Ver - Jorge e Matheus

publicado por Thales às 16:31
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
...

Deixa calar os versos

Já não importam mais

Deixe que eles se tornem

Silêncio, vazio e paz

 

Se a música acabar

E cessar a melodia

Deixa tocar o silêncio

Com toda sua apatia

 

E quando a luz apagar

E virar tudo breu

Deixa-me te abraçar

E mentir o que aconteceu

 

Quando o sol voltar

Estarei bem distante

Ainda amigo

Não mais amante

 


sinto-me: Leve
música: Passos Falsos - Capital Inicial

publicado por Thales às 17:56
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Sábado, 9 de Agosto de 2008
Poema?

Gavetas de meias, bolinhas de gude, carros do ano

Esse não é mais um poema

São só versos sobrepostos

Falando de coisas normais

Sobre bola correndo

Carros passando

Pessoas cansadas, sentadas

Conversando, rindo, chorando

Esses são versos sobre nada

Sobre nada demais

Coisas triviais

Sorrisos, brigas, mesas de bar

Noites e noites em claro

Ou dias que insistem em não chegar

Bonecas, palhaços, mágicos, circo

Preces, orações, soluços...

... São só versos amontoados

E só isso

Esse poema é sobre nada

Isso nem é um poema.


música: Your Song - Elton John


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